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Marco Legal dos Games: decreto é assinado

O que muda para a indústria nacional de games?

 Foto: Giba/Ascom MinC 

O Marco Legal dos Games agora é uma realidade.

A tão esperada regulamentação do Marco Legal dos Games (Lei nº 14.852/2024) finalmente foi assinada. O Decreto nº 13.138, de 14 de outubro de 2026, é o instrumento que transforma as diretrizes da lei em ações concretas, abrindo portas para financiamento, formação e reconhecimento do setor. 

A seguir, destrinchamos os nove pontos principais do decreto para você entender o que isso significa na prática.

1. Ancine no comando

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) foi designada como a responsável por definir as condições para que os jogos eletrônicos acessem os mecanismos de incentivo da Lei do Audiovisual (Lei nº 8.685/93).

Na prática: Isso significa que os games passam a ser tratados como produtos audiovisuais para fins de fomento. A Ancine definirá as regras e critérios para que projetos de jogos possam captar recursos via incentivos fiscais, como já acontece com filmes e séries. Uma vitória histórica para a equiparação do setor.

2. Preservação e memória

O decreto institui uma política para preservar os jogos que forem fomentados com recursos públicos federais, sob a coordenação do Ministério da Cultura.

Na prática: Isso garante que os jogos financiados pelo governo não se percam com o tempo. Eles serão catalogados e preservados como parte do patrimônio cultural e tecnológico do país, garantindo que o investimento público gere frutos duradouros.

3. Game Brasil

Uma das medidas mais impactantes é a criação da Game Brasil, uma plataforma pública e gratuita destinada a catalogar, divulgar e promover jogos eletrônicos brasileiros.

Como funciona:

  • Catálogo: Reúne os jogos nacionais em um só lugar.

  • Divulgação: Dá visibilidade à produção brasileira.

  • Informações de acesso: Indica onde e em quais plataformas os jogos estão disponíveis.

Além disso: A plataforma também servirá como um repositório de jogos financiados com recursos públicos, que poderão ser usados por instituições públicas de ensino, pesquisa e saúde, sempre respeitando os direitos autorais.

Na prática: É um canal direto entre o desenvolvedor e o público, além de uma ferramenta valiosa para educadores e pesquisadores.

Como uma das maiores dificuldades de desenvolvedores e estúdios independentes sempre foi a divulgação de seus games, o portal pode representar um avanço extremamente palpável para a indústria nacional e "destravar" centenas de jogos.

4. Rede nacional de formação e inovação

O Ministério da Cultura criará uma rede nacional de espaços de formação, experimentação, pesquisa e desenvolvimento de games.

Quem pode participar: Equipamentos públicos, instituições de ensino, ambientes de inovação, laboratórios, estúdios, museus, incubadoras, aceleradoras, parques tecnológicos, entre outros.

Na prática: A adesão é voluntária e visa estimular a cooperação e o compartilhamento de infraestrutura, conhecimentos e experiências entre os diversos atores do ecossistema. Isso descentraliza o desenvolvimento e fortalece polos regionais.

5. O MEC entra em campo

O Ministério da Educação (MEC) poderá incentivar ações de formação, pesquisa e inovação no setor de games. Isso pode ocorrer por meio da oferta ou fortalecimento de cursos, componentes curriculares, cursos de graduação, pós-graduação e iniciativas de educação profissional e tecnológica.

Na prática: A medida prevê a criação de cursos de graduação em cinco universidades federais, uma em cada região do país. O objetivo é formar a mão de obra qualificada que a indústria precisa para crescer.

6. Desenvolvimento industrial e tecnológico

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços coordenará a formulação, implementação e monitoramento de ações para o desenvolvimento industrial e tecnológico do setor.

Os objetivos são:

  • Fortalecer o setor e ampliar sua capacidade produtiva, tecnológica e de inovação.

  • Estimular a geração e exploração econômica de propriedade intelectual.

  • Promover a atração de investimentos e a inserção internacional do setor.

Na prática: O setor de games passa a ter uma política industrial dedicada, com metas claras para transformar o Brasil em um player global.

7. Internacionalização

Diversos ministérios e órgãos atuarão no fomento à internacionalização do setor, incluindo promoção comercial, atração de investimentos e exportação de bens e serviços.

Iniciativas previstas: Redes internacionais de pesquisa, projetos conjuntos, mobilidade de estudantes e pesquisadores, formação em cotutela e compartilhamento de infraestrutura.

Na prática: É o reconhecimento de que os jogos são um produto de exportação. A medida visa levar a produção brasileira para o mundo.

8. Saúde e Treinamento

O decreto reconhece e incentiva a utilização de games para fins terapêuticos, de treinamento e de capacitação.

Na prática: Abre um novo mercado para os desenvolvedores, criando jogos com aplicações sérias (serious games) que podem ser usados em hospitais, clínicas e programas de treinamento corporativo e profissional.

9. E-sports 


O decreto reconhece os e-sports como manifestações esportivas de natureza competitiva, permitindo que suas organizações integrem o Sistema Nacional do Esporte (Sinesp).

Na prática: Isso possibilita a integração dos esportes eletrônicos às políticas públicas de formação esportiva, desenvolvimento de atletas, apoio a competições, pesquisa, inovação, integridade, inclusão e acessibilidade. É a profissionalização e o reconhecimento oficial da modalidade no país.

Um passo gigantesco

O Decreto nº 13.138/2026 é uma conquista histórica para a indústria de games brasileira. Ele consolida conceitos fundamentais e estabelece meios concretos de integração à rede pública de apoio, desenvolvimento e financiamento de tecnologia e arte.

Para desenvolvedores, estúdios e profissionais do setor, a regulamentação do marco é causa para comemoração. É, sem dúvidas, um passo gigantesco para nossos games e profissionais da área, possibilitando um nível de crescimento antes impensável para a nossa indústria.

O decreto abre portas, mas exige preparo.

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Referências: Planalto

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